Câmara aprova MP que extingue prazo para inscrição de propriedade no cadastro ambiental rural (CAR)

Câmara aprova MP que extingue prazo para inscrição de propriedade no cadastro ambiental rural (CAR)

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A inscrição é obrigatória, mas não estipula data-limite. Cadastro Ambiental Rural foi criado pelo Código Florestal para ampliar base de dados sobre propriedades.
O plenário da Câmara aprovou, nesta quarta-feira (25), a medida provisória que acaba com o prazo para a inscrição obrigatória no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Agora, os proprietários rurais podem se inscrever no CAR a qualquer momento.
O Código Florestal previa inicialmente prazo de um ano para a requisição do cadastro pelos produtores rurais. Em 2017, uma mudança no texto estabeleceu como data de fim de prazo para a inscrição no CAR o dia 31 de dezembro daquele ano (prorrogável por mais um ano). Em dezembro de 2017, houve nova prorrogação. Agora, a MP retira as menções a prazo no texto, deixando claro apenas que a inscrição no CAR é obrigatória.
FONTE: g1.globo.com

Em 13° lugar, Brasil está longe de ser um dos países que mais usam agrotóxicos.

Em 13° lugar, Brasil está longe de ser um dos países que mais usam agrotóxicos.

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Dados do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), apontam que a agricultura brasileira usou cerca de 539 mil toneladas de pesticidas em 2017 com um gasto de US$ 8,8 bilhões, segundo a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). No ranking de uso por hectare, o Brasil foi o 7º, com gasto equivalente a US$ 111. O Japão, que levou a medalha de ouro, aplicou US$ 455. Já por produto agrícola produzido, o país foi o 13º, com US$ 8. O Japão, ainda em 1º, gastou US$ 95.
Vale destacar que o Japão possui área de mais de 377 mil km², o que equivale ao tamanho do Mato Grosso do Sul. Já o território do Brasil, é de 8 milhões e 500 mil km², cerca de 22 vezes o Japão.
Fonte do site : ( agrosaber.com.br)

Médica Veterinária Maria Monzani usa produtos da marca PROCAMPO

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EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA ATÉ OS DIAS DE HOJE

EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA ATÉ OS DIAS DE HOJE

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A necessidade de produzir alimentos para atender toda a população, além da constante preocupação com fatores que atuam de alguma forma na qualidade desses alimentos, faz com que, ao longo dos anos, a tecnologia no campo passe por modificações significativas. Por isso, a evolução da tecnologia no campo parece tão intensa. Desde a criação de equipamentos até a inserção de recursos científicos para ajudar no processo, temos um cenário cada vez mais moderno.

A mecanização, fruto da tecnologia no campo, garantiu a evolução da produtividade, permitindo que cada vez mais nosso relacionamento com a terra acontecesse de maneira eficiente, ainda que, em alguns casos, a natureza não oferecesse tantos recursos quanto o necessário.

É evidente que as mudanças, quando pensamos e observamos a presença da tecnologia no campo, trouxeram muito mais facilidade para o empreendedor rural. Economizando gastos, hoje, ele é capaz de produzir com qualidade e eficiência, garantindo uma produção sem desperdícios.

No passado, era preciso um contingente muito maior de pessoas para executarem serviços que, atualmente, as máquinas ocupam, gerando um gasto muito menor de energia e dando espaço para profissionais qualificados dentro do processo como um todo. Isso faz com que o número de pessoas empregadas nesse tipo de atividade tenha crescido e se diversificado.

Agricultura Digital

Agricultura Digital

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Agricultura digital é um conjunto de tecnologias que auxiliam o produtor nas atividades rurais. Ela reúne tecnologias para otimizar as atividades do campo por meio de conectividade, sensoriamento remoto, entre outras ferramentas relativas à tecnologia da informação.
Todos esses instrumentos de TI empregados na propriedade rural terão a função de coletar e analisar dados sobre o clima, o solo, a lavoura e os equipamentos. Munido dessas informações, o sistema consegue entender as variabilidades que ocorrem dentro da fazenda e, assim, propor as melhores soluções, como pulverização, adubação em taxas variáveis e planejamento mais preciso na aplicação de defensivos.

Por esse motivo, a agricultura digital é mais conhecida como agricultura de precisão. Essa tendência promete revolucionar o campo. Afinal, quando mais sensores e inteligência artificial são aplicados às atividades rurais, o produtor consegue aumentar sua produtividade com custos menores, sem necessitar aumentar a área de cultivo.

Isso vai ao encontro dos desafios impostos pelo aumento da demanda de alimentos. Com a agricultura digital, o agricultor lança mão de diversas tecnologias que o auxiliam tanto no operacional quanto nas decisões estratégias do negócio.

 

As vantagens são: Redução de custos; aumento da eficiência; aumento da produtividade.

Fonte: Jacto

Dá para conciliar o agronegócio e a conservação da Amazônia?

Dá para conciliar o agronegócio e a conservação da Amazônia?

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Dá para conciliar o agronegócio e a conservação da Amazônia?

Em 2006, quando o avanço da produção de soja na região amazônica era uma grande ameaça à floresta, entidades ligadas ao agronegócio e organizações não governamentais de defesa do meio ambiente firmaram um acordo que impedia a venda de soja produzida em áreas desmatadas. Doze anos depois, a Moratória da Soja se transformou num dos exemplos mais bem-sucedidos de medida de proteção ambiental combinada com aumento da produção agrícola. De lá para cá, a área de cultivo da soja cresceu quase 300%, enquanto o desmatamento para a produção do grão evoluiu menos de 2% na Amazônia. Na prática, as lavouras migraram para áreas de pastagens degradadas. Hoje, de 4,5 milhões de hectares plantados com o grão na safra 2016/2017 no bioma amazônico, menos de 47 365 infringem os termos da moratória.

O sucesso do acordo tem inspirado discussões para que ações desse tipo sejam levadas a outros biomas sensíveis, como o Cerrado. “Os produtos agrícolas fora de áreas de desmatamento e com boas práticas de produção são valorizados pelo consumidor estrangeiro, em especial na Europa”, diz Frederico Machado, especialista em políticas públicas do Programa Agricultura e Alimentos da ONG internacional WWF e palestrante do EXAME Fórum Amazônia. Realizado em 21 de março, o evento reuniu 200 pessoas em Porto Velho, Rondônia, para discutir o desenvolvimento econômico da região.

O debate entre preservação e exploração agrícola na Amazônia se dá num momento em que, após uma queda expressiva do desmatamento, os números voltaram a oscilar. De 2004 a 2014, o ritmo anual de desmatamento do bioma caiu 80%, um avanço reconhecido mundialmente. Entre 2015 e 2016, o corte ilegal de árvores voltou a crescer, com a abertura de 7  893 quilômetros quadrados desmatados. O último dado do Ministério do Meio Ambiente é positivo: de julho de 2016 a junho 2017, o desmatamento caiu 16% na região. A projeção para este ano é que de 6 000 a 7 000 quilômetros quadrados sejam desmatados, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia.

A meta é limitar a devastação a 3 900 quilômetros quadrados ao ano até 2020, segundo a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Foi instituída por lei em 2009 e é um compromisso do Brasil com a Organização das Nações Unidas, que busca a redução de emissões de gases de efeito estufa. “A sustentabilidade cresce no Brasil como exigência de mercado, não só das instituições”, diz o governador de Rondônia, Confúcio Moura (MDB). “O mercado é seletivo, exigente. O mundo só compra o que é conveniente, e a preocupação com a origem dos insumos é cada vez maior.”

Se a soja tem dado o exemplo na região amazônica, a pecuária extensiva está na ponta oposta. Cerca de 60% das áreas desmatadas abrigam pastos. As terras de pastagem chegam ao esgotamento por completo do solo em oito a dez anos. Como a recuperação é custosa, os agricultores preferem avançar na floresta — primeiro, agem no mercado ilegal de madeira, financiando a criação posterior do gado.

O esquema fez com que o rebanho bovino na Amazônia passasse de 37 milhões de cabeças em 1995, o equivalente a 23% do total nacional na época, para 85 milhões em 2016, cerca de 40% do total. “A forma de ocupação que tivemos de 1979 a 1988, com assentamentos rurais organizados pelo governo federal, possibilitou a ocupação do estado, mas com uma legislação ambiental que permitia mais desmatamento do que as regras atuais”, diz José Paulo Gonçales, secretário adjunto da Secretaria da Agricultura de Rondônia. “Todos os esforços do governo estadual estão centrados em recuperar áreas degradadas para se enquadrar na nova legislação.”

Olivier Girard, sócio da consultoria Macrologística; Maria Tereza Umbelino de Souza, do Brasil Mata Viva; Frederico Machado, da ONG WWF; e Valdemar Camata Júnior, superintendente do Sebrae de Rondônia, discutem logística e sustentabilidade na Amazônia | Flavio Santana

A situação da pecuária deve começar a mudar na região amazônica. No fim de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal julgou 58 pontos do Código Florestal, criado em 2012, questionados por ações protocoladas pela Procuradoria-Geral da República e pelo PSOL. O tribunal reconheceu a constitucionalidade de pontos controversos, entre eles a anistia aos proprietários que desmataram acima das cotas de reserva legal e de áreas de preservação permanente. Pela lei, as propriedades rurais devem ter uma parcela de cobertura de vegetação nativa. As cotas variam de acordo com o bioma: de 20%, em boa parte do país, a 80% da propriedade, na Amazônia.

Quem desmatou até julho de 2008, porém, recebeu uma espécie de “suspensão da pena” caso firmasse um compromisso de restauração das terras degradadas e adequação às regras legais. Enquanto o proprietário de terra estiver cumprindo o acordo, não poderá ser multado. Os ambientalistas temem, porém, que a brecha incentive invasões em área de conservação, na expectativa de anistias futuras. “O julgamento no STF pacificou as contestações, eliminou a insegurança jurídica e abriu uma via para que se regularize a situação de quem tem algum passivo”, afirma Rodrigo Lima, sócio da consultoria Agroicone. “É um passo importante para que, nos próximos anos, tenhamos uma agenda de restauração florestal efetiva.”

Outro ponto importante é a entrada em operação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), cujas inscrições vão até 31 de maio. Organizado pelo Serviço Florestal Brasileiro, o CAR é um enorme banco de dados que vai mapear as propriedades agrárias e contabilizar o real passivo ambiental no país. O ma-pea-mento levou três anos para chegar ao atual estágio.

No último levantamento, de fevereiro, mais de 436 milhões de hectares haviam sido cadastrados, compreendendo 4,8 milhões de imóveis rurais. As regiões Sul, Sudeste e Norte foram totalmente desenhadas. O Centro-Oeste tem 97% dos cadastros prontos, e o Nordeste, 90%. No CAR, os fazendeiros precisam informar o tamanho, as divisas e a composição de suas terras, mostrando as áreas produtivas e as de vegetação, conservadas ou degradadas.

Como o CAR funciona por autodeclaração, os governos estaduais deverão fazer uma checagem entre os dados captados por satélite e os declarados para propor uma adequação pelos Programas de Regularização Ambiental a quem descumprir o Código Florestal. Quem tiver avançado sobre a porção protegida por lei terá de restaurar a área degradada ou adquirir ativos florestais — por exemplo, comprar compensações de vizinhos com ativos sobrando.

“Boa parte dos produtores rurais está inclinada a atuar na recuperação ambiental, pois o Código Florestal deixa claro quais são as punições para quem não cumpre”, diz Valdemar Camata Júnior, superintendente do Sebrae de Rondônia. “Mas é preciso ir além e discutir quais serão os benefícios para quem preservar a floresta.”

A expectativa é que um novo mercado em torno da conservação de mata nativa comece a ganhar fôlego. Já foi formatada uma espécie de “moeda verde”, a chamada Cota de Reserva Ambiental (CRA). Ela ainda aguarda regulamentação, mas o Sistema Florestal Brasileiro estuda padronizar o custo do ativo para que possam ser feitas trocas entre proprietários de forma fácil. Espera-se que até o fim do ano a ferramenta esteja ativa.

A necessidade de criar ativos florestais transcende o interesse de produtores locais. Em turnê no Brasil, a banda de rock americana Pearl Jam destinou parte do lucro de seus shows à Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, no es-tado do Amazonas. Desde 2003, os roqueiros compram créditos de carbono para compensar as emissões de suas apresentações, fazendo do Pearl Jam o primeiro grupo musical “carbono neutro” no mundo. A passagem da banda por São Paulo e Rio de Janeiro moveu 2 500 toneladas de carbono gerados pelos deslocamentos de carro e avião dos músicos, pelos shows em si e pelo transporte usado pelos fãs.

A conta ambiental se transformou em 50 000 dólares, destinados ao plantio de árvores por meio do mecanismo de redução de emissões de carbono. Algumas empresas brasileiras já utilizam esse instrumento de compensação. A fabricante de cosméticos Natura é da turma do “carbono neutro” há dez anos. No final de março, a empresa anunciou um balanço de seu Programa Amazônia, que envolve 4 300 famílias na Região Norte, produtoras de ingredientes da linha de cosméticos Ekos. A compensação das atividades é feita em 257 000 hectares de floresta em pé.

Apesar de parecerem financeiramente vantajosas, essas operações ainda são raras no Brasil. Organizações não governamentais e empresas tentam conscientizar os produtores da região sobre a importância da preservação do ambiente — e dos lucros possíveis com a floresta em pé — e sobre a necessidade de que fatores essenciais para a produtividade no campo, como ciclo de chuvas e qualidade do solo, sejam garantidos.

O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que intermediou as operações do Pearl Jam, reconhece que esse é um mercado difícil. Os valores são baixos. O agricultor recebe, em média, 60 reais por árvore mantida em pé pelo período de três anos. “O produtor rural conclui que, entre vender carbono e produzir soja, vale mais a produção agrícola”, diz Mariano Cenamo, pesquisador sênior do Idesam. Isso porque no Brasil não há incentivo para um sistema de compensação de carbono ou de -taxação sobre emissão.

Além da ausência de coordenação governamental, faltam regras claras que criem um lastro de remuneração mais lucrativa para os planos de preservação. O Acre é o único estado que tem uma política estruturada e funcionando de incentivos e contabilidade da conservação das florestas em pé, e sua consequente redução de emissões de carbono (na sigla em inglês, REDD+). Iniciado em 2004, o plano não foi financiado com dinheiro público daqui, mas pelo banco de desenvolvimento KFW, da Alemanha — foram mais de 100 milhões de reais. Outros modelos também estão sendo testados. O programa Brasil Mata Viva, gerido pela Imei Consultoria, de Goiânia, enxerga na demanda crescente por ativos florestais uma oportunidade.
O Mata Viva criou um plano de compensação de dano ambiental chamado de crédito de floresta, que calcula a densidade da cobertura nativa preservada em vez de considerar toneladas de carbono emitidas. A compensação de impactos causados por obras da Olimpíada no Rio de Janeiro foi feita assim, utilizando reservas de floresta nos estados de Amazonas e Mato Grosso. Com isso, a ideia é remunerar o proprietário de terras preservadas de forma mais justa, gerando créditos com padrão internacional que poderiam ser negociados em bolsas de valores. “Vivemos um momento de modificação da cultura das instituições em prol do crescimento do agronegócio aliado às tecnologias”, diz Alaerto Luiz Marcolan, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em Rondônia.

O avanço na relação de ONGS com empresas está reverberando entre as lideranças políticas da região. Para o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), essa curva em direção à sustentabilidade faz parte das “reformas necessárias ao Brasil”, assim como se dá com a da Previdência. “Se não for tomada nenhuma atitude, uma nova crise comercial será aberta”, diz Virgílio. Os governadores da Amazônia Legal, grupo composto pelos estados do Norte mais Maranhão e Mato Grosso, vêm trabalhando para formar um consórcio que uniria atividades de segurança, infraestrutura e logística, além de planos de captação de investimentos na região. E mais: pretendem criar um fundo para financiar ações de divulgação da Amazônia. A ideia é deixar no passado as imagens de devastação e construir uma nova percepção do desenvolvimento local, baseado numa conciliação com a conservação do ambiente. O caminho para o país está claro: agora é transformar as ideias em ações de fato.

Fonte: Revista Exame

Brasil adicionou 22,8 milhões de toneladas de fósforo em seus solos nos últimos 50 anos

Brasil adicionou 22,8 milhões de toneladas de fósforo em seus solos nos últimos 50 anos

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Brasil adicionou 22,8 milhões de toneladas de fósforo em seus solos nos últimos 50 anos

Estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Solos (RJ) e de outras instituições brasileiras revela que quase metade do fósforo (P) aplicado na agricultura em forma de fertilizante inorgânico nos últimos 50 anos continua na terra. Cálculos apontam que um total de 45,7 milhões de toneladas, ou teragramas (Tg), de fósforo foi aplicado no Brasil desde 1960, quando começou a utilização regular desse insumo. Hoje, estima-se que 22,8 Tg desse montante continue fixado no solo.

Esse legado de fósforo na terra, que hoje é avaliado em mais de U$ 40 bilhões, pode ajudar o Brasil a se precaver contra uma possível escassez futura do nutriente ou variações no preço do insumo. Em 2008, por exemplo, o preço da rocha de fosfato aumentou 800% em um período de 18 meses.

Em 2050, serão 105 milhões de toneladas

Para avaliar esse recurso, foram examinadas as dinâmicas de fósforo em seis experimentos de longa duração (14 a 38 anos) em solos do Cerrado, onde se acredita que a maior parte da expansão e da intensificação da agricultura deve ocorrer. A estimativa é que o resíduo de fósforo em terras brasileiras possa chegar a 105 Tg em 2050.

O estudo, publicado na Nature Scientific Reports, no artigo Transitions to sustainable management of phosporus in Brazilian Agriculture (Transições para o manejo sustentável de fósforo na agricultura brasileira, tradução livre), chama a atenção para uma questão importante na discussão do excesso de uso do nutriente. O fósforo aplicado sucessivamente em solos brasileiros, principalmente na produção de grãos, desde 1970, aliado a práticas conservacionistas, como o plantio direto, gerou um legado, promovendo o acúmulo de um capital natural. “Nosso solo absorveu esse fósforo. Por isso, precisamos aplicá-lo cada vez em menor quantidade na terra, reduzindo seu uso na adubação”, revela Vinícius Benites, pesquisador da Embrapa Solos e um dos autores do artigo.

Controvérsias sobre o uso do fósforo

O estudo responde a diversas críticas de pesquisadores atuantes em países de agricultura de clima temperado. “Há aproximadamente dois anos, alguns cientistas de países do Hemisfério Norte começaram a questionar o que seria uma aplicação excessiva do fósforo na agricultura tropical, principalmente no Brasil”, lembra Benites. “Por lá, eles consideram o fósforo como um poluente, em vez de insumo. É necessário observar que nossos solos tropicais, para produzir, têm uma demanda muito maior de fósforo do que a terra de países de clima temperado”, completa.

Luís Prochnow, diretor geral do Instituto Internacional de Nutrição de Plantas no Brasil (IPNI), pondera: “Realmente existem trabalhos criticando alguns aspectos do uso de fósforo no Brasil. Tais argumentos se referem normalmente à grande quantidade que utilizamos para tornar a nossa agricultura eficiente e produtiva. Questiona-se algumas vezes se o custo [da aplicação de fósforo] não é muito elevado e se não estamos esgotando as reservas no mundo muito rapidamente”.

O professor Luciano Gatiboni, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) vê algumas contradições nas críticas. “É interessante observar que as reclamações sobre o uso do fósforo na agricultura brasileira têm vindo de países nos quais foram utilizados fertilizantes fosfatados por séculos e hoje boa parte dos seus solos apresentam teores excessivos desse elemento, valores tão altos que causam poluição ambiental. Obviamente, nessas condições, a eficiência da adubação é próxima a 100%, pois há tanto fósforo armazenado no solo pelas adubações anteriores que não há fixação. Então, eles criticam o Brasil por estar fazendo o que já foi feito no passado por eles”, avalia.

Prochnow também discorda da argumentação dos pesquisadores europeus: “Temos que considerar que precisamos de fósforo em quantidades elevadas para construir a fertilidade dos nossos solos, mas temos uma agricultura muito eficiente, bem mais eficaz do que a das regiões temperadas”.

Manejo adequado manterá fósforo por muitas décadas

Um bom exemplo é que no Brasil é possível fazer dois ou mais cultivos ao ano em uma mesma área, realizando o manejo adequado com aplicação dos princípios fundamentais para uso de fertilizantes, conhecido como o conceito 4C: utilizar a fonte de fertilizante correta, na dose correta, no momento correto e no local correto. “Se o utilizarmos com sabedoria, teremos reservas de fósforo por muitas décadas. Ademais, tenho convicção de que serão estabelecidas formas eficientes de se reciclar esse nutriente. Isso será imperativo no futuro. Resumindo, não devemos confundir as coisas. Precisamos de agricultura forte no Brasil, que necessita de fósforo bem manejado. Isso é perfeitamente possível”, completa Prochnow.

O fósforo é elemento vital para a saúde e o vigor das plantas. Alguns fatores de crescimento associados ao fósforo são melhoria na qualidade da plantação, maior resistência a doenças e suporte ao desenvolvimento da planta por todo ciclo de vida. Além disso, ele está presente de modo intensivo na agricultura, na utilização do NPK, sendo um dos três nutrientes principais para as plantas, ao lado do nitrogênio e do potássio, na composição dos fertilizantes.

Esse debate se torna ainda mais importante diante da escassez do recurso, explica Benites: “Importamos metade do fósforo que utilizamos. Existem reservas de fosfato no Brasil, mas elas são compostas por minerais de menor qualidade, o que aumenta o custo da produção. Por essa razão, torna-se mais barato importá-lo. Ele é um elemento limitado. As grandes minas estão localizadas no norte da África, muitas em regiões de conflitos geopolíticos. Ainda existe fósforo suficiente para abastecer a agricultura por algum tempo. Porém, em breve, ele vai se tornar uma preocupação quando pensarmos na segurança alimentar no mundo”.

Fósforo secundário

A perspectiva de escassez leva os pesquisadores a alertar para a necessidade de se pensar em sistemas de produção que racionalizem o uso desse insumo. Uma alternativa abordada no artigo publicado na revista Nature é o uso do fósforo secundário, presente nos dejetos da produção animal ou nos resíduos do processamento da cana-de-açúcar, por exemplo. Esse material já é utilizado na Austrália. Estimativas indicam que o fósforo secundário pode suprir até 20% da demanda brasileira de grãos por volta de 2050, com investimento em tecnologias de recuperação do nutriente.

O diretor do IPNI acredita que o aproveitamento do fósforo secundário é uma possibilidade concreta. “Porém, ainda precisamos evoluir muito em tecnologia e em distribuição dessas fontes. A reciclagem de fósforo será fundamental em um futuro próximo e a viabilidade técnica será estabelecida, bem como existirão forças econômicas para que essas fontes possam ser utilizadas. É necessário que o País se preocupe e pesquise esse assunto. Alguns têm feito isso com clareza e da forma científica necessária”, declara Prochnow.

Luciano Gatiboni também tem uma visão otimista sobre o tema. “Acredito que o Brasil pode tranquilamente manter seu protagonismo como principal produtor de alimentos e bioenergia no futuro, sem críticas quanto à eficiência de uso de fertilizantes fosfatados, se conseguir usar eficientemente na agricultura as fontes secundárias de nutrientes com a inclusão de fertilizantes oriundos do reuso do fósforo. Melhor ainda se conseguirmos desenvolver tecnologias para usar pelo menos parte do fósforo fixado no solo e acumulado pelo histórico de adubações”, sugere o professor da Udesc.

Alguns países, como Cuba e China, buscaram uma saída mais radical e usam no campo o fósforo presente nos dejetos humanos, já que 80% do fósforo ingerido é excretado.

Brasil sediará discussões em agosto

O uso correto do fósforo na agricultura volta ao centro dos debates científicos entre os dias 20 e 22 de agosto, no VI Encontro Sustentável do Fósforo (SPS2018), fórum mundial para discussão do tema. A Embrapa é uma das organizadoras do evento, que acontecerá em Brasília (DF).

“É a primeira vez que o evento é realizado no Hemisfério Sul. Pretendemos mostrar um cenário mais realista do uso do fósforo no Brasil para o mundo”, revela Vinicius Benites, da Embrapa. O SPS 2018 também discutirá os cenários na Ásia, África e Pacífico, focando nos desafios e oportunidades locais.

Esses encontros começaram em 2010, na Suécia. A edição brasileira reunirá várias lideranças da ciência, indústria e política, buscando identificar ações a respeito do papel da disponibilidade e acessibilidade do nutriente na segurança alimentar e agricultura, protegendo o meio ambiente e apoiando a vida urbana e no campo.

Também em agosto, entre os dias 12 e 17, o XXI Congresso Mundial de Ciência do Solo (WCSS), no Rio de Janeiro (RJ), abordará o uso sustentável do fósforo nos ambientes tropicais.

Fonte: Noticias Agrícolas

Prazo para se registrar no Cadastro Ambiental Rural está acabando

Prazo para se registrar no Cadastro Ambiental Rural está acabando

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Prazo para se registrar no Cadastro Ambiental Rural está acabando

O sítio de Claudemir Lepre é um exemplo de como a produtividade no campo pode conviver muito bem com a preservação. A área de seis hectares fica no município de Piedade (SP). Nas estufas, ele cultiva morangos e legumes em uma propriedade onde a natureza tem espaço garantido.

Da área total do sítio, Claudemir tem um hectare de vegetação preservada. Ele diz que é importante manter a proteção natural das nascentes para ter água, um recurso natural que corre risco de acabar.

Além de respeitar o meio ambiente, o agricultor mantém toda a documentação do sítio atualizada. Ele já fez o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que é obrigatório para todas as propriedades rurais do país. O cadastramento começou em 2014 e vai até o dia 31 de maio deste ano.

O produtor rural tem que informar pela internet os dados e a localização da área no programa criado pelo Ministério do Meio Ambiente. A existência de nascentes e o tamanho de vegetação preservada também precisam ser declarados.

Assim, é feito um monitoramento dos imóveis rurais do país, com informações importantes sobre a preservação nos sítios e fazendas.

O serviço é gratuito e 1,6 mil propriedades já foram registradas no sistema. Alberto Masao Shimoda, coordenador de Agricultura, explica que o CAR será um documento muito importante, inclusive para registro da propriedade em cartório.

Em Boituva (SP), a fazenda de George Gottheiner também foi cadastrada. Na área de 210 hectares, ele cria 770 cabeças de gado da raça japonesa wagiu, conhecida pela carne macia, que tem apreciadores no mundo todo.

George conta que a área de pastagem ao redor das nascentes foi cercada há quatro anos. Sem o gado passando por lá, o problema com erosões diminuiu e as minas d’água foram protegidas.

As seis nascentes que existem no local foram cadastradas e fazem parte dos números que começaram a ser contabilizados. Em todo o estado, 330 mil imóveis rurais já foram registrados no CAR, quase 95% do total.

Denise Machado, diretora da Defesa Agropecuária de Sorocaba (SP), explica que o cadastro é importante para que o estado monitore áreas preservadas e consiga realizar políticas públicas que beneficiem produtores rurais e o meio ambiente.

Fonte: G1

Segunda edição da Digital Agro discute tecnologia no campo

Segunda edição da Digital Agro discute tecnologia no campo

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Segunda edição da Digital Agro discute tecnologia no campo

Tecnologia está cada vez mais presente no agronegócio e para discutir esse assunto acontece entre os dias 12 e 14 de junho, a segunda edição da Digital Agro, uma das principais feiras da América Latina voltada à tecnologia agropecuária.

Robótica, automação, nanotecnologia, uso do Big Data no agronegócio, trabalho de startups no setor e a agroenergia estão entre os temas a serem discutidos nessa edição, que acontece no Parque Histórico de Carambeí (PR) e promete promover a ligação entre a inovação tecnológica e a terra.

Para fugir dos grandes centros, a feira, promovida pela Frísia Cooperativa Agroindustrial, propôs realizar o evento na região considerada o berço do sistema de plantio direto. Carambeí, localizada a 140 km de Curitiba, reúne uma das mais importantes bacias leiteiras, agrícolas e sementeiras do país, também é conhecida pela otimização das através de tecnologias agropecuárias, desenvolvimento de soluções com pesquisa e verticalização da produção, com alcance no varejo.

Fonte: Globo Rural

Pecuarista quer aumento no seguro para produzir carne e leite

Pecuarista quer aumento no seguro para produzir carne e leite

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Pecuarista quer aumento no seguro para produzir carne e leite

Representantes dos pecuaristas de corte e de leite estão pedindo mudanças no seguro pecuário. Eles argumentam que, assim como a agricultura, a pecuária também é uma atividade de grande risco, afinal todo o investimento da fazenda está aplicado no rebanho, que está sujeito às intempéries climáticas, doenças e outros perigos.

Associações de gado e outras entidades se uniram e foram a Brasília solicitar ao governo mudanças no Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR) na modalidade “Pecuário”. Estiveram na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e entregaram o pedido em reunião com o diretor do departamento de gestão de risco, Vitor Ozaki.

A iniciativa tem apoio da ABCZ de Uberaba, da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), e outras entidades. O presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, destacou no comunicado protocolado e entregue ao Mapa a inclusão de uma rubrica específica para a pecuária no Plano Agrícola e Pecuário (PAP-2018), que contemple subvenção de seguro para os sistemas de cria, recria, engorda e para os animais melhoradores inscritos no Serviço de Registro Genealógico (SRG) de cada associação. “Face ao baixo valor disponibilizado para a pecuária, muitos produtores não conseguem acesso ao seguro rural, o que os deixam a mercê de riscos e faz com que abandonem a atividade”, diz.

De acordo com a corretora, Karen Matieli, especialista em seguro de animais e proprietária da Denner Seguro de Animais, empresa paulista, seria necessário a inclusão de R$ 10 milhões no PSR na modalidade pecuária. “Atualmente a pecuária tem acesso apenas a R$ 1 milhão, pois sofremos com a divisão que é feita com outras culturas e no fim das contas os pequenos e médios produtores não tem acesso ao programa. Deveríamos ter uma verba destinada a subsidiar apólices de pecuária bovina, assim como o tem o milho e a soja. A pecuária tem importante papel na economia do País”, diz.

Segundo Karen, a contratação de seguros para o setor tem crescido bastante no Brasil. “Mas somente 0,24% de subvenção para a pecuária, como é hoje, é pouco para atender a demanda”, afirma.

Para o presidente da Abraleite, Geraldo Borges, com estas mudanças na redistribuição solicitada ao Mapa, tantos os produtores quanto o mercado em geral serão beneficiados. “O seguro é ferramenta de mitigação de riscos, onde transferimos à seguradora os riscos incertos de nossa atividade. Muitos pecuaristas deixaram sua atividade em virtude de perdas catastróficas. Precisamos evoluir, pois o é agro que sustenta esse País e também precisa se proteger”, destaca.

Fonte: Globo Rural